quinta-feira, 17 de maio de 2012

A VIDA CRISTÃ À LUZ DA ASCENSÃO


Pensar o cristianismo é refletir sobre uma forma de vida elaborada e sistematizada de forma bastante complexa e simples ao mesmo tempo. Complexa para todo aquele que se põe a avaliar-lhe o sentido último e primordial, simples para aquele que busca com sua fé a luz para compreender o Mistério de onde a sua vida encontra sentido. Muitas vezes somos tentados a justificar a Ressurreição de Jesus Cristo e sua Ascensão como um fato de onde meramente emerge nosso compromisso cristão de continuar o projeto do Reino de Deus na história.
É preciso lembrar o fato de que concomitantemente a isto encontramos a variável de que há uma revolução antropológica e teológica na compreensão até então vigente. Até o momento o característico a toda expressão de fé era a existência de um “espaço sagrado” e um “mundo profano”, onde há a necessidade de existirem locais onde “Deus” habita, estabelece sua morada. No momento da Ascensão, esta forma de compreender a presença de Deus é totalmente quebrada e renovada. Deus que se encarnou, torna-se presença no mundo e com o mundo, bastando àquele que crê perceber a presença de Deus na humanidade. O grande ponto inovador do cristianismo é esse: “ver no outro a presença de Deus, e reconhecer em si mesmo tal presença”.
A partir do momento em que ocorrer a Ressurreição inicia-se o movimento da Glorificação da humanidade. O Corpo glorioso de Cristo é ápice de toda a glória da humanidade, Deus se faz plenamente humano, experimentando toda a alegria e toda a dor, imerso completamente na “carne”. Deus que se fez presença em ‘um’ homem. Com a Ascensão, ele revela que não se faz mais presença em ‘um’ corpo, em algo material, mas sim transcende e perpassa toda a realidade. Os homens buscam Deus, mas não o encontram mais em ‘um’ ser. Na glorificação realizada pela ressurreição Deus se faz presença na humanidade. Deus está em toda a humanidade e a humanidade toda está em Deus. Pode-se dizer com plena certeza que durante sua vida na terra, Deus se faz em Jesus Cristo presença física e visível, com a Páscoa e a Ascensão torna-se uma presença espiritual, mais profunda e universal, encarnado não em um corpo, mas na própria humanidade.
Assim, a vida do cristão é iluminada pela vivencia de um Ministério arraigado ao Mistério da Encarnação de Deus, da sua presença viva e eficaz no tempo e no espaço. Muitas vezes há a tentativa de se tirar Deus do mundo, alegando sua morte. Mas, a Igreja deve ser o sinal de sua presença nos dias de hoje. Ao iniciar este texto lembrava de que a luz da fé é que faz compreender o Mistério do Cristo no mundo. A Igreja como depositária da fé deve ser este Sacramento Universal de Salvação para a humanidade. Na Igreja se vive a comunhão, tornando possível a Salvação, jamais pode-se pensar salvar o indivíduo, uma pessoa, mas sim a humanidade. O compromisso do cristão é ser o quanto mais possível humano e revelar na sua vida a própria humanidade que tanto Deus amou e na qual se encarnou. A Solenidade da Ascensão do Senhor é o convite para os cristão serem fieis testemunhas do Reino de Deus, o qual foi anunciado como possibilidade para a Humanidade por Jesus Cristo.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

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