Pensar o cristianismo é refletir
sobre uma forma de vida elaborada e sistematizada de forma bastante complexa e
simples ao mesmo tempo. Complexa para todo aquele que se põe a avaliar-lhe o
sentido último e primordial, simples para aquele que busca com sua fé a luz
para compreender o Mistério de onde a sua vida encontra sentido. Muitas vezes
somos tentados a justificar a Ressurreição de Jesus Cristo e sua Ascensão como
um fato de onde meramente emerge nosso compromisso cristão de continuar o projeto
do Reino de Deus na história.
É preciso lembrar o fato de que
concomitantemente a isto encontramos a variável de que há uma revolução
antropológica e teológica na compreensão até então vigente. Até o momento o
característico a toda expressão de fé era a existência de um “espaço sagrado” e
um “mundo profano”, onde há a necessidade de existirem locais onde “Deus”
habita, estabelece sua morada. No momento da Ascensão, esta forma de
compreender a presença de Deus é totalmente quebrada e renovada. Deus que se
encarnou, torna-se presença no mundo e com o mundo, bastando àquele que crê
perceber a presença de Deus na humanidade. O grande ponto inovador do
cristianismo é esse: “ver no outro a presença de Deus, e reconhecer em si mesmo
tal presença”.
A partir do momento em que
ocorrer a Ressurreição inicia-se o movimento da Glorificação da humanidade. O Corpo
glorioso de Cristo é ápice de toda a glória da humanidade, Deus se faz
plenamente humano, experimentando toda a alegria e toda a dor, imerso
completamente na “carne”. Deus que se fez presença em ‘um’ homem. Com a
Ascensão, ele revela que não se faz mais presença em ‘um’ corpo, em algo
material, mas sim transcende e perpassa toda a realidade. Os homens buscam
Deus, mas não o encontram mais em ‘um’ ser. Na glorificação realizada pela
ressurreição Deus se faz presença na humanidade. Deus está em toda a humanidade
e a humanidade toda está em Deus. Pode-se dizer com plena certeza que durante
sua vida na terra, Deus se faz em Jesus Cristo presença física e visível, com a
Páscoa e a Ascensão torna-se uma presença espiritual, mais profunda e
universal, encarnado não em um corpo, mas na própria humanidade.
Assim, a vida do cristão é
iluminada pela vivencia de um Ministério arraigado ao Mistério da Encarnação de
Deus, da sua presença viva e eficaz no tempo e no espaço. Muitas vezes há a
tentativa de se tirar Deus do mundo, alegando sua morte. Mas, a Igreja deve ser
o sinal de sua presença nos dias de hoje. Ao iniciar este texto lembrava de que
a luz da fé é que faz compreender o Mistério do Cristo no mundo. A Igreja como
depositária da fé deve ser este Sacramento Universal de Salvação para a
humanidade. Na Igreja se vive a comunhão, tornando possível a Salvação, jamais
pode-se pensar salvar o indivíduo, uma pessoa, mas sim a humanidade. O compromisso
do cristão é ser o quanto mais possível humano e revelar na sua vida a própria
humanidade que tanto Deus amou e na qual se encarnou. A Solenidade da Ascensão
do Senhor é o convite para os cristão serem fieis testemunhas do Reino de Deus,
o qual foi anunciado como possibilidade para a Humanidade por Jesus Cristo.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus
Cristo.
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