sexta-feira, 30 de março de 2012

Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, o rei dos Judeus

Os quatro Evangelistas dão grande importância ao relato da Paixão. A segunda parte do Evangelho de S. Marcos está toda orientada para a morte de Jesus. S. Marcos quer-nos fazer compreender as razões pelas quais a Paixão do Senhor ocupa a quinta parte do seu Evangelho. Por que tanta importância? Isto nos surpreende, de fato porque o Evangelho foi escrito depois da Ressurreição, para pessoas que viviam iluminadas pelo acontecimento triunfal da Páscoa. No texto grego a Paixão tem 160 linhas enquanto a Ressurreição apenas 46. A morte de Jesus tem muita importância, e isto esconde um segredo que S. Marcos nos quer revelar.
O começo da Paixão relata a conspiração contra Jesus, a unção em Betânia, a traição de Judas, os preparativos para a Páscoa, a instituição da Eucaristia. Antes, por três vezes Jesus tinha anunciado o mistério da sua morte. Tudo isto para nos dizer que Jesus viveu primeiramente a Sua Paixão no Seu Coração, antes de a sofrer no seu corpo. Sigamos Jesus, escutemos Jesus. Ele anuncia que todos O vão abandonar (Marcos 14, 27), que Pedro O vai renegar (Marcos 14, 30). Jesus morrerá sozinho. Na cruz experimentará o abandono do próprio Deus (Marcos 15, 34).

No Getsemani e no Gólgota Jesus reza continuamente na Sua língua materna, o aramaico. «Eloí» significa «meu Deus». São palavras do salmo 22 que Jesus rezou na cruz. Começa com uma súplica aflitiva (Marcos 15, 34): «Eloí, Eloí, lema sabctani?» (Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?), mas que terminará numa exultação de alegria inexplicável: «Louvai o Senhor, glorificai-O, reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel. Uma nova descendência há de nascer para servir o Senhor e anunciar a Sua salvação: tal é a Sua obra!» (Salmo 22, 2.24.31-32).
S. Marcos narra dois processos contra Jesus, um religioso, outro político, para dizer a todo o mundo o segredo da identificação deste condenado. Para dizer às autoridades religiosas que Jesus de Nazaré é verdadeiramente o Messias, o filho do Homem, o Filho de Deus (Marc 14,61-62); para dizer às autoridades romanas que Jesus é o Rei dos Judeus (Marc 15,2).

S. Marcos, no início do Evangelho, põe na boca dos apóstolos esta pergunta: «quem é este Homem a Quem o vento e o mar obedecem?» (Marcos 4,41) No final do Evangelho, o centurião vendo a maneira como Jesus morreu fez um ato de fé exclamando: «verdadeiramente este Homem era o Filho de Deus» (Marcos 15, 39). Está dada a resposta! Ficamos sabendo quem é Jesus.
Irmãos, aproveitemos a Semana Santa para meditarmos na morte de Jesus. Esta morte nos fala. Esta morte tem um segredo. Esta morte deve provocar em nós um ato de fé semelhante ao do Centurião romano: Verdadeiramente Jesus é o Filho de Deus. Subamos ao Calvário, fixemos o nosso olhar em Jesus o autor e consumador da nossa fé. Não tenhamos medo da escuridão que envolve toda a terra, porque em breve despontará a luz da Páscoa gloriosa.

Extraído do Blog "Encontro com o Bispo"

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